Memória e resistência: lançamento de “Nunca Mais” relembra os bastidores da ditadura e reforça a importância de não esquecer
No fim de semana que antecede os 62 anos do golpe militar de 1964, o Memorial da Resistência, em São Paulo, recebeu um importante momento de memória e reflexão: o lançamento do livro “Nunca Mais”, do jornalista Camilo Vannuchi. A obra resgata os bastidores do emblemático projeto Brasil: Nunca Mais, iniciativa que, de forma clandestina, sistematizou e reproduziu mais de 1 milhão de páginas de processos do Superior Tribunal Militar (STM), revelando a dimensão da repressão política durante a ditadura no país.
O evento reuniu nomes diretamente ligados à história narrada. Além do autor, participaram do bate-papo o escritor Frei Betto que integrou o projeto original e a psicóloga Vera Paiva, membro da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e filha de Eunice e Rubens Paiva. O encontro também apresentou ao público o roteiro de um longa-metragem sobre o projeto, atualmente em desenvolvimento, ampliando ainda mais o alcance dessa memória histórica.
O Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP), por meio de seu setor de Comunicação, esteve presente na atividade realizada no dia 28 de março. Durante sua fala, Frei Betto compartilhou não apenas os desafios enfrentados na produção do projeto Brasil: Nunca Mais, mas também memórias pessoais e coletivas do período da ditadura militar. Em tom firme e reflexivo, destacou a importância de manter viva a história, para que ela seja constantemente contada, revisitada e jamais esquecida.
Frei Betto também trouxe à tona relatos de outras pessoas que viveram aquele período, ampliando o olhar sobre as múltiplas experiências marcadas pela repressão. Entre as referências destacadas, mencionou Dom Paulo Evaristo Arns, figura central na denúncia das violações de direitos humanos durante a ditadura e um dos principais articuladores do projeto.
Mais do que um lançamento literário, o encontro no Memorial da Resistência reafirmou o compromisso com a memória, a verdade e a justiça elementos fundamentais para que o passado seja compreendido e para que os erros da história não se repitam.
Por: Arison Lopes, Comunicação ITESP.
Imagem: Comunicação ITESP.
