Ex-aluno do ITESP celebra 100 dias de sacerdócio e destaca a importância da formação teológica na missão pastoral
Os primeiros meses após a ordenação sacerdotal costumam ser marcados por descobertas, desafios e profundas transformações. Para o ex-aluno do Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP), Matheus Baliski, os cem primeiros dias de ministério foram também uma confirmação vocacional e uma experiência de felicidade que superou suas expectativas.
Ordenado sacerdote há pouco mais de três meses, Pe. Matheus vive atualmente sua missão junto à Pastoral Vocacional e no acompanhamento das juventudes. Ao refletir sobre esse início de caminhada, ele afirma que a maior descoberta foi perceber a concretização do chamado que carregava no coração há tantos anos. “Corresponder ao chamado de Deus já é uma grande alegria. Mas eu não imaginava que esta alegria seria maior ainda ao ver o chamado se concretizar na minha própria história”, relata.
A experiência de iniciar o ministério em uma nova comunidade trouxe desafios próprios de qualquer processo de adaptação. No entanto, segundo o sacerdote, a compreensão do ministério como serviço tem facilitado a construção de vínculos e o relacionamento com as pessoas. Para ele, quando a missão é vivida de forma comunitária e inspirada pelo amor de Cristo, os laços surgem naturalmente e tornam a caminhada mais leve.
Entre as experiências que mais têm marcado seu cotidiano está o contato com os jovens e com pessoas que enfrentam questionamentos profundos sobre o sentido da vida. Atuando diretamente na Pastoral Vocacional, Pe. Matheus afirma que tem encontrado muitos jovens em busca de direção e propósito.
Segundo ele, as angústias e inquietações presentes na realidade contemporânea revelam a importância do testemunho pastoral e da proximidade humana. Em sua compreensão, a missão do sacerdote consiste em favorecer o encontro das pessoas com Deus, manifestando a misericórdia e a ternura divinas por meio da escuta, da presença e do acompanhamento.
Essa percepção reforça uma das dimensões centrais da formação teológica e pastoral: a capacidade de interpretar os sinais do tempo e responder às necessidades concretas das pessoas, especialmente diante dos desafios sociais e existenciais da atualidade.
Os cem dias de sacerdócio não impactaram apenas a vida do novo padre. A ordenação também trouxe alegria para sua família, amigos e confrades religiosos. Único sacerdote entre seus familiares, Pe. Matheus conta que vê na felicidade daqueles que o acompanham uma confirmação da beleza da vocação que abraçou.
Como membro dos Oblatos de São José, ele também destaca o significado especial de ter sido ordenado em um ano marcado pelas celebrações dos 25 anos da canonização de São José Marello, fundador da congregação. Para ele, trata-se de um tempo de graça, fortalecido pelo apoio da família e da comunidade religiosa. Ao olhar para trás, o sacerdote reconhece que a realidade superou os sonhos que alimentava durante o período de discernimento vocacional. “Há cem dias atrás, não imaginava que esses seriam os 100 dias mais felizes da minha vida”, afirma. “Muito além dos meus sonhos, permiti que os sonhos de Deus se realizassem em minha vida.”
Ao recordar os anos de formação no ITESP, Pe. Matheus destaca que a experiência acadêmica foi fundamental não apenas para o aprofundamento dos conhecimentos teológicos, mas também para a construção de uma visão pastoral capaz de dialogar com os desafios do mundo contemporâneo. Segundo ele, a formação recebida desenvolveu competências importantes de pesquisa, organização e estudo contínuo. Contudo, o aspecto mais significativo está na capacidade de relacionar a reflexão teológica com a vida concreta das pessoas. “O Instituto tem essa grande sensibilidade e apresenta uma capacidade única de analisar a atualidade e aplicar todo o conjunto dos conhecimentos na prática, atingindo diretamente e positivamente a vida das pessoas”, afirma.
Seu testemunho oferece aos atuais estudantes do ITESP uma perspectiva concreta do caminho que se abre após a formação acadêmica. Mais do que um relato sobre os primeiros meses de sacerdócio, sua experiência evidencia como a teologia estudada em sala de aula ganha vida na missão, no acompanhamento das comunidades, na escuta das pessoas e no anúncio do Evangelho.
Para os alunos que hoje percorrem o caminho da formação teológica, a trajetória do jovem sacerdote revela que a vocação não se encerra na conclusão dos estudos, mas encontra sua plenitude no serviço ao povo de Deus. É justamente nessa passagem entre a formação e a missão que se torna possível perceber como o conhecimento teológico, a espiritualidade e a experiência pastoral se unem para dar sentido à vida e ao ministério.
Ao concluir sua mensagem aos jovens que discernem a própria vocação, Pe. Matheus retoma uma frase de São José Marello que sintetiza sua experiência destes primeiros cem dias: “Vale a pena empenhar a vida pelo Cristo!”.
Por: Arison Lopes, Comunicação ITESP.
Imagem: Arquivo pessoal Matheus Baliski.
