Entre bandeiras, fé e acolhida: alunos do ITESP celebram a resistência haitiana junto à Missão Paz
No dia 18 de maio, os alunos do Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP), membros dos Missionários Scalabrinianos, participaram da organização e da celebração da Festa da Bandeira do Haiti, data que recorda um dos acontecimentos mais simbólicos da história da independência haitiana. O encontro também marcou a celebração do Dia das Mães, reunindo famílias haitianas acompanhadas pela Missão Paz, em São Paulo.
A comemoração trouxe para o centro da celebração a memória, a resistência e a identidade do povo haitiano. A Festa da Bandeira recorda o Congresso de Arcahaie, ocorrido em 18 de maio de 1803, quando o líder revolucionário Jean-Jacques Dessalines teria retirado a faixa branca da bandeira francesa e pedido a Catherine Flon que costurasse as partes azul e vermelha, simbolizando a união entre negros e mestiços na luta pela liberdade. O gesto marcou o nascimento da primeira nação negra livre das Américas e tornou-se um dos maiores símbolos da luta anticolonial no continente.
Para os estudantes do ITESP, especialmente aqueles vindos do continente africano e da América Latina de língua espanhola, a experiência foi também um verdadeiro laboratório de teologia, cultura e história. A convivência com as famílias haitianas e a participação ativa na organização da celebração permitiram um contato direto com narrativas de resistência, migração, fé e identidade cultural, elementos fundamentais para uma formação teológica comprometida com a realidade humana e social.
A celebração aconteceu junto à Missão Paz, instituição de referência no acolhimento de migrantes e refugiados na cidade de São Paulo. Mantida pelos Missionários Scalabrinianos, a entidade atua há décadas oferecendo apoio humanitário, orientação jurídica, assistência social, formação e acolhimento para pessoas vindas de diferentes partes do mundo. Em meio aos desafios das migrações contemporâneas, a Missão Paz tornou-se um importante espaço de promoção da dignidade humana, integração social e defesa dos direitos dos migrantes.
Além do suporte material e jurídico, a instituição promove iniciativas culturais, espirituais e comunitárias que ajudam migrantes e refugiados a reconstruírem vínculos, fortalecerem sua identidade e encontrarem espaços de pertencimento em uma nova realidade. Para muitos haitianos que vivem em São Paulo, a celebração da Festa da Bandeira representa justamente isso: memória, resistência e esperança compartilhadas em comunidade.
Ao participarem dessa vivência, os alunos do ITESP ampliam a compreensão da teologia para além das salas de aula, encontrando no contato com os povos migrantes uma experiência concreta de escuta, acolhida e compromisso com as realidades humanas. A celebração tornou-se, assim, não apenas um momento cultural, mas também uma expressão viva de fraternidade, interculturalidade e fé encarnada na história dos povos.
Por: Arison Lopes, Comunicação ITESP.
Imagem: Arquivo pessoal Guilbaud Joseph
