Memória e Resistência: ITESP monta memorial sobre a ditadura militar no Brasil

Memória e Resistência: ITESP monta memorial sobre a ditadura militar no Brasil
Foto: Comunicação ITESP

No coração do Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP), a sala Betânia — espaço de convivência dos alunos — tornou-se um lugar de memória e reflexão. Em lembrança aos 61 anos do golpe militar de 1964, o Diretório Acadêmico Cardeal Van Thuan organizou um memorial com depoimentos sobre a ditadura no Brasil. Mais do que um registro histórico, o espaço é um convite ao aprendizado e à preservação da memória coletiva, garantindo que as sombras desse período não voltem a assombrar a sociedade.

A iniciativa busca alcançar tanto os estudantes brasileiros quanto os estrangeiros que passam pelo ITESP, muitos dos quais desconhecem em profundidade os acontecimentos desse período sombrio. Ao reunir relatos e documentos, o memorial possibilita um olhar mais sensível sobre os anos de repressão, censura e violência que marcaram a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

O golpe de 1964 instaurou um regime autoritário que durou mais de duas décadas, sufocando liberdades individuais, silenciando opositores e instaurando um sistema de perseguição política, tortura e desaparecimentos forçados. A censura atingiu a imprensa, a educação e qualquer forma de expressão considerada subversiva ao regime. Os que se opunham à ditadura – estudantes, professores, artistas, sindicalistas e religiosos – foram perseguidos implacavelmente.

Nesse contexto, a Igreja Católica teve um papel ambíguo. Enquanto setores conservadores apoiaram a tomada do poder pelos militares, temendo o avanço de ideologias de esquerda, outros segmentos da Igreja se tornaram protagonistas na luta pelos direitos humanos. Muitos religiosos abriram suas portas para acolher perseguidos, denunciaram os crimes da repressão e foram vozes ativas na defesa da democracia. Exemplo disso foi o próprio Cardeal Paulo Evaristo Arns, que denunciou torturas e articulou a produção do emblemático livro Brasil: Nunca Mais, que documentou as atrocidades cometidas pelo regime.

O memorial criado pelo Diretório Acadêmico do ITESP não é apenas um resgate histórico, mas um alerta. Em tempos de desinformação e revisionismo, olhar para o passado com responsabilidade é um ato de compromisso com a democracia e os direitos humanos. É uma forma de educar as novas gerações, incentivando uma postura crítica diante da história para que erros do passado não sejam repetidos.

A sala Betânia, agora transformada em um espaço de resistência e memória pelas mãos do aluno Douglas Silveira, reafirma o compromisso do ITESP com a formação humanística e social dos seus alunos. Ao valorizar a história e dar voz às vítimas da ditadura, a comunidade acadêmica fortalece o entendimento de que liberdade e justiça são conquistas que precisam ser preservadas todos os dias.

Por: Arison Lopes, Comunicação ITESP.

Imagem: Comunicação ITESP.